22.5.12

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Ando com imensa vontade de escrever, um sentimento quase louco que já não sentia à algum tempo. Mas é verdade que já o senti, poderia eu adivinhar que essa vontade significava também horas e horas a escrever e a apagar o que escrevo. Estranho, louco coração. Tenho duvidas a assombrarem-me a cabeça ao mesmo tempo que sinto um orgulho enorme de mim própria. Tenho novas respostas, mas novas perguntas, aprendi que vai ser sempre assim ao longo de toda a vida. Tenho passado noites a pensar, a olhar para o passado, para o último ano e meio de todo este percurso que tem corrido. Olho para mim e vejo que deixei de ser a menina ingénua que todos pisavam devido a isso mesmo, à minha fragilidade. Aprendi demais com as pessoas que deixei entrarem no meu coração e hoje já não me dizem absolutamente nada. Essas pessoas sempre gostaram de me dominar, de me conhecer até ao último pormenor, de saber de cor e salteado os meus pontos fortes e fracos e, quando achavam que já não havia mais nada para saber de mim, para aprender comigo, iam-se embora descartando-me, como eu se eu fizesse parte de um baralho de cartas. Como se eu fosse uma carta preciosa que merecia ser posta em jogo, mas que mais tarde perderia a preciosidade e o encanto. Ridículo, mas hoje valorizo-me porque afinal de contas, por tanto me pisarem eu aprendi que algo eu tinha de ter assim de tão extraordinário para o fazerem. Desperdicei um ano escolar a aprender sobre mim própria e por muito que não mereçam, sobre vocês também. Tenho repetido constantemente, para nos valorizarmos e para deixarmos de nos rebaixar. Sabem porquê? Porque essa foi das lições mais importantes, foi das "teorias" que mais devemos começar a aplicar nas nossas vidas. É verdade que tenho o coração demasiado ferido. Com feridas que ainda não sararam e que me custam a tocar nelas. Tenho feito um esforço enorme para não me deixar cair, tenho agido por impulso como se a minha única obrigação fosse sorrir. Têm me posto a auto-estima em cima dizendo que eu sou das pessoas mais fortes psicologicamente. E eu hoje consigo valorizar e acreditar nessas palavras. Tenho sentido saudades de algumas coisas, tenho sentido que me falta algo que não sei explicar, mas tenho andado serena... Nem tudo o que nos deixa saudade nos faz bem, ao contrário do que alguns de nós pensam. Aprendi a viver com as saudades aprendendo que não posso segurar o mundo de ninguém e deixar o meu cair. Não me posso rebaixar mais, porque essa não sou eu. Eu sou livre e independente e hoje digo para não irem contra mim, porque de tantas vezes cair, eu aprendi a derrubar. 

4 comentários:

  1. adorei!! está muito muito bom!!a mensagem que transmitis-te neste texto esta simplesmente perfeita. Parabéns e continua assim!

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    1. Muito obrigada, essas opiniões valem muito!

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  2. Adorei querida, acho que está simplesmente fantástico e tão puro :| Identifico-me muito com o que aqui está escrito* Olha, só tenho uma coisita para te dizer: Continua minha linda! Continua porque vais chegar muito longe! Um grande beijo*

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  3. Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.
    E você aprende que amar não significa apoiar-se, que companhia nem sempre significa segurança, e começa a aprender que beijos não são contratos, e que presentes não são promessas.
    Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança; aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
    Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo, e aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...
    deixo-te um bj de afeto e um feliz inicio de semana.

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